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Basquete ajuda jovem a superar um câncer


No jogo desta terça-feira Tainara ficou na reserva: atleta teve a doença diagnosticada em 2013 em 2014 obteve a cura


Escrito em 26/08/2014


Texto e fotos de Antonio Prado/Fesporte

“Tainara é uma guerreira”. A frase dita pela técnica de basquete do Senai, de Concórdia, Thuany Pinto, que comanda a equipe na etapa estadual dos Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc) 15 a 17 anos em Blumenau, sintetiza o que é a estudante Tainara Trenti Zanella, de 16 anos. A concordense, ala do time, mesmo na reserva, estava ali na quadra do Galegão como uma sobrevivente de um câncer denominado de “teratoma de ovário”, um tumor benigno que se desenvolve no sistema reprodutor feminino: o ovário. Tainara viu do banco de reservas sua escola perder, nesta terça-feira (26) de 30 a 25 para o Colégio La Salle Peperi, de São Miguel do Oeste.

Apesar de triste pela derrota (a primeira em três partidas), Tainara estava feliz por fazer aquilo que mais gosta: vivenciar em quadra uma partida de basquete. Mais feliz estava por saber que o basquete foi um canal importante para superar o câncer diagnosticado em 2013.

Retirada de sisto de mais de 2 quilos

Integrante do time de basquete de Concórdia em varias edições dos Jesc 12 a 14 anos, Tainara viu sua trajetória em quadra ser interrompida quando sentiu um inchaço na barriga. “Jogava com a barriga inchada e pensava que estava gordinha. Quando as dores tornaram mais intensas procurei um médio e então foi diagnosticado o câncer”, lembra a jogadora.


Durante a partida Tainara ajudou a incentivar as companheiras (Foto: Antonio Prado)

Pouco depois da primeira consulta a atleta passou por uma cirurgia. Os médicos retiraram um sisto de dois quilos e meio do ovário esquerdo. A cirurgia foi um sucesso, mas, dias depois o inchaço na barriga voltou. Veio nova operação. Desta vez para tirar um sisto de meio quilo entre o útero e o intestino. A biópsia revelou que uma parte  do sisto era maligna, a outra não.

Os médicos decidiram então realizar na atleta uma quimioterapia preventiva, segundo ela, para o câncer não voltar. “Comecei a fazer a quimioterapia em março deste ano no Hospital Universitário Santa Maria, em Joaçaba, (distante 70 quilômetros de Concórdia). Ficava uma semana no hospital tomando medicamentos com sessões de quatro horas diárias. Depois voltada para casa, em Concórdia, e ficava uma semana. Nas duas semanas seguintes, a cada terça-feira, voltava para o hospital em Joaçaba e tomavas umas injeções”, lembra.


Tensão na hora dos pontos das adversárias (Foto: Antonio Prado)

Por conta do tratamento o cabelo caiu. “Fiquei em depressão, amava o meu cabelo e tive que fazer tratamento psicológico”, diz enfatizando que era bastante vaidosa por ter cabelos longos. "Quando eu soube da doença, nem pensei em morte. Só pensei no meu cabelo, mas isso já foi superado e convivo com isso numa boa”, garante a estudante. Ela revela também que três semanas após a quimioterapia os médicos autorizaram que voltasse a praticar aos poucos o basquete, o que tem feito ultimamente.

No último exame, realizado há um mês e meio, veio o resultado que Tainara tanto queria ouvir: estava curada, mas revelou também que ela necessitaria de mais uma cirurgia para retirar uma massa de 11 centímetros localizada entre o fígado e um músculo embaixo das costelas. Esta nova operação ainda não tem data para ser realizada, mas, Tainara está feliz.

Nesta terça-feira Tainara não entrou em quadra, segundo sua treinadora Thuany, porque o jogo estava bastante disputado e o tratamento a deixou com um condicionamento físico limitado, mas no primeiro jogo da equipe, realizado na segunda-feira (25), ela entrou no finalzinho tempo suficiente para converter uma cesta de dois pontos e ajudar ao seu time a vencer por  48 a 37 a Escola Barão do Rio Branco, de Blumenau.


Alegria no banco diante dos pontos do Senai, de Concórdia, durante a partida (Foto: Antonio Prado)

Tainara lembra que começou a jogar basquete aos 11 anos de idade na quadra da Escola Estadual Deodoro, em Concórdia, onde estudava na época, a convite da amiga de sala Morgana Lopes, hoje, ala do time do Senai. Foi aos primeiros treinamentos e gostou.

 Diz que nunca teve um título de expressão e a maior conquista até hoje foi um terceiro lugar na etapa estadual do Jesc 12 a 14 anos em Gaspar em 2011. Mas, isso é o que menos importa, pois na vida Tainara é uma campeã de superação. “Como atleta ela é muito guerreira, é uma das atletas mais dedicadas do time. Mesmo com a doença ela não quis largar o time, quis viajar e vivenciar isso aqui”, finaliza a técnica Thuany Pinto.



Veja as fotos:

Tainara observa as orientações do técnico (Foto: Antonio Prato/Fesporte)

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