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O Funil dos Atletas em Formação: Futsal de SC com alerta ligado


por: Gestão e Profissionalismo no Esporte em 22/08/2014


Por Daniel Júnior:

Não há como pensar em equipes adultas sem pensar nas categorias de base, pois é a sustentação técnica e física de atletas mais velhos.

Acompanhando a tendência do Futebol Brasileiro, o Futsal do Brasil poderá nos próximos anos passar por uma crise de atletas capazes de promover um bom jogo muito grande, e o Estado de Santa Catarina ainda mais. Um dos pontos a serem atacados é a formação de atletas como sustentação de elenco para as equipes adultas de todo Estado e não apenas para as equipes participantes da Liga Nacional.

Em Santa Catarina, com dados retirados do site da Federação Catarinense de Futsal há em cada categoria o seguinte número de equipes e atletas em seus elencos masculinos (com uma estimativa de 12 atletas por equipe):

- Categoria Sub-09: 20 equipes; 240 atletas
- Categoria Sub -11: 32 equipes; 384 atletas
- Categoria Sub-13: 30 equipes; 360 atletas
- Categoria Sub-15: 36 equipes; 432 atletas
- Categoria Sub-17: 21 equipes; 252 atletas
- Categoria Sub-20: 6 equipes; 72 atletas
 
De acordo com os dados obtidos, ao aproximar-se das categorias adultas, onde o jovem atleta alcançará a maturação fisiológica proporcionado pela estimulação hormonal, a estruturação emocional e volitiva, o aprendizado tático avançado devido ao desenvolvimento cognitivo superior e o refino da técnica visto que as equipes são mais qualificadas, o número de equipes reduz drasticamente e inúmeros bons atletas tem três caminhos: a contratação por uma equipe que possui categoria sub-20 mesmo que fora do Estado; a incorporação em uma equipe adulta ainda com 18 anos muitas vezes oriundo de uma formação deficiente; a desistência visto que não há equipes sub-20 para jogar.

 Dentre as três vias de acesso aos atletas que passam pelo funil quantitativo apenas a contratação para uma equipe sub-20 para uma formação continuada de qualidade poderá salvar o futsal catarinense adulto em termos de qualificação futura, pois os atletas egressos de categorias menores não possuem capacidade competitiva em nível adulto gerado um ciclo vicioso devido ao não entendimento das comissões técnicas que a pseudo maturidade sócio-emocional de um atleta de 17 anos logo é clarificada em jogos demitindo-os a primeira oportunidade e posteriormente não os contratando.

Urge a necessidade de repensar as categorias de base de qualidade como sustentação de equipes adultas para que estas possam baratear seus elencos, renovar os plantéis e proporcionar que haja uma renovação no futsal catarinense e nacional.

Para tal, o subsídio para clubes que possuem equipes em todas as categorias menores, equiparação das faixas etárias em relação ao sistema FESPORTE, a conscientização dos clubes e comissões técnicas adultas que há atletas novos com qualidade para jogar, a responsabilidade financeira dos clubes assim como o comprometimento aos campeonatos estaduais e a gerência e tutela da Federação poderiam ser propostas a serem discutidas assim como outras para auxiliar num processo que pode ser revertido ainda em tempo ou Falcão e Vinícius terão que jogar até os 50 anos.

Por Daniel Junior, 33 anos, formado em Educação Física e Pós Graduando em Psicologia do Esporte, Daniel atuou como atleta até 2005. Depois, como auxiliar técnico, foi campeão da Superliga e Vice-campeão da Liga Nacional por Unisul e Ulbra. Já em 2008 foi analista de jogo e estatístico da Seleção Brasileira de Futsal em 2007 (Jogos Pan-Americanos) e em 2008 (Mundial de Futsal). A partir de 2009 iniciou a carreira como treinador e em por dois anos (2010 e 2011) teve uma passagem marcante pelo Alto Vale. Em Ibirama, Junior alcançou com o elenco o título de campeão da Liga Sul e da Primeira Divisão dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Atualmente, é o treinador da equipe de Mafra que disputará a Primeira Divisão de 2013. Colunista do EAV desde abril/2013.

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