publicidade

Gestão de Talentos Humanos ou Gestão de Pessoas com História?


por: Gestão e Profissionalismo no Esporte em 25/04/2013


Daniel Junior.
www.facebook.com/CienciadoFutsal


Gerir pessoas, talvez seja o mais difícil trabalho de um líder de equipe, independente da área de atividade desempenhada e do número de pessoas a qual está sob seu comando. Obviamente, que em virtude, da quantidade de relacionamentos que se constroem, quanto maior for o grupo, geralmente na mesma proporção dar-se-á a dificuldade de gerí-los com uniformidade e resolução de conflitos (internos e externos) e comportamentos (visíveis e invisíveis).

A atual corrente de gestão de talentos humanos considera que todo o atleta, ou todo trabalhador como um SER complexo e criativo, dotado de potencial extraordinário capaz de revolucionar um setor com ações e ideias fora do comum, capaz de alterar o rumo de um jogo, ou de uma empresa, ou de um setor, ou até mesmo de sua vida. Será?

Talvez se pararmos para pensar nas pessoas que trabalham para nós ou conosco, vimos apenas a faceta trabalhista desta, ou seja, o que esta pode executar profissionalmente, com suas ferramentas técnicas, estratégicas e conhecimentos específicos adquiridos em sua trajetória, esquecendo-nos que muitas vezes o tempo de convivência é curto e poderá ser duradoura, mas no momento é apenas um mês ou um ano, no esporte, pode ser apenas uma temporada.

Trago esta questão da historicidade humana para discussão, por entender que na grande maioria das vezes, esquecemos que o (a) atleta, o (a) funcionário (a), o(a) colaborador(a), enfim, todos aquele “liderados” em determinadas situações ou contextos não possuem características sociais para serem líderes, autônomos, criativos, e talvez nem queiram em virtude de uma vivência anterior não estimulada para  tal.

Na busca da melhor performance coletiva, sendo esta a soma dos desempenhos individuais, manifesta-se em nós sempre o desejo do profissional inteligente nas soluções dos problemas, criativo para diferenciar-se sempre e capaz de antecipar as dificuldades. No esporte, talvez pela necessidade constante de vitória em cenário inóspito e imprevisível geralmente há um número maior de pessoas com tais características.

No entanto, tanto no esporte quanto em outras esferas da sociedade há indivíduos que em virtude de uma infância e juventude pobre em fatores estimuladores de sucesso, superação de dificuldades cotidianas, inexistência de uma formação de qualidade (não promovida pelo Estado), baixo poder de criticidade e outros aspectos de vida ao longo do seu tempo, estes transformam-se, no jargão do futebol os “velhos carregadores de pianos” e, em muitos setores, são necessários e não menos importantes.

Quando gerimos pessoas, não gerimos apenas profissionais (pessoas dotadas de capacidades técnicas). Ao administrar pessoas, gerenciamos gente complexa em virtude de sua história e é necessário entendê-la para melhor compreendê-la.

Por Daniel Junior, 33 anos, formado em Educação Física e Pós Graduando em Psicologia do Esporte, Daniel atuou como atleta até 2005. Depois, como auxiliar técnico, foi campeão da Superliga e Vice-campeão da Liga Nacional por Unisul e Ulbra. Já em 2008 foi analista de jogo e estatístico da Seleção Brasileira de Futsal em 2007 (Jogos Pan-Americanos) e em 2008 (Mundial de Futsal). A partir de 2009 iniciou a carreira como treinador e em por dois anos (2010 e 2011) teve uma passagem marcante pelo Alto Vale. Em Ibirama, Junior alcançou com o elenco o título de campeão da Liga Sul e da Primeira Divisão dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Atualmente, é o treinador da equipe de Mafra que disputará a Primeira Divisão de 2013. Colunista do EAV desde abril/2013.

PUBLICIDADE

Publicidade
Publicidade
Publicidade