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Gerenciamento de Equipes - Parte III - Desenvolvimento da Autonomia Esportiva: A Revolução Pedagógico-Esportiva


por: Gestão e Profissionalismo no Esporte em 02/07/2013


“A questão está em que, pensar autenticamente (sic), é perigoso”.
(Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, 1980).

Por Daniel Júnior

Ao ler célebres educadores como Paulo Freire em suas obras sobre Educação, voltar aos tempos Socráticos e Platônicos em suas oratórias e ensinamentos do ato de educar para democracia da pólis, e nestes tempos históricos fincarmos uma pedra pontuda lá, e atualmente uma lança aqui, em tempos de Júlio Garganta, Damásio e outros pensadores sociais e esportivos, une-se pelo meio mais curto, uma reta, o traçado histórico do desenvolvimento do ser humano ativo, criativo, crítico e, portanto construtivo de uma nova ordem social ou dentro do jogo, um micro-sistema.

Mas qual relação existente entre Gerenciamento de Equipe e Desenvolvimento da Autonomia?

No treinamento desportivo coletivo é necessário que haja a construção de um modo de jogar por meio de princípios e modelos de jogo determinados pelo treinador e sua comissão técnica para que seja um guião de intervenção prática dentro do jogo na busca dos êxitos esportivos.

Os padrões atestam, também, durante a época desportiva uma forma de análise qualitativa da execução coletiva da equipe em termos organizacionais de como o treinador entende o jogo, podendo dessa forma intervir  com o escopo  de alterar possíveis rumos dessa nau. Em analogia ao navegar, caso haja alguma intempérie (muito comum em ambientes abertos e determinados por inúmeras e inconstantes variáveis), buscar-se-á os rígidos padrões de comportamentos práticos escritos nas linhas de uma página qualquer que dificilmente serão encontrados devido ao stress emocional momentâneo ou a análise, percebida, sustentada e executada por meio de critérios desenvolvidos e aprendidos, dessa nova situação problema será mais eficiente?

A eficiência será atestada após a execução do ato, o entanto o meio de ação dependerá dos processos de ensinamento.

A liderança e os processos de ensino-aprendizagem-treinamento-educação voltada ao desenvolvimento da autonomia crítica necessitará maior empenho daqueles que ensinam e proporcionarão maior capacidade e interesse na resolução dos problemas vividos.

O cerceamento da pedagogia esportiva libertadora e guiada, economiza esforços de treinadores, professores e educadores (que não adentram em quadras e campos) e limitam a capacidade operativa criativa do agente real (atletas). Durante muitos anos os treinamentos esportivos estavam voltados para mecanização de movimentos, ações e rotinas em um misto de militarismo aos moldes da escola e da sociedade.  Como diz Paulo Freire “A questão está em que, pensar autenticamente (sic), é perigoso”.

Atualmente, metodologias que desenvolvam a capacidade reflexiva do ser social/atleta (entende-se o jogo como um micro-sistema social de disputas  diretas) para que estes  possam ser autônomos dentro  do jogo estão sendo inseridas no ambiente  de treino na busca de aletas inteligentes ainda que de forma tímida.

É a Revolução Pedagógica-Esportiva.

Por Daniel Junior, 33 anos, formado em Educação Física e Pós Graduando em Psicologia do Esporte, Daniel atuou como atleta até 2005. Depois, como auxiliar técnico, foi campeão da Superliga e Vice-campeão da Liga Nacional por Unisul e Ulbra. Já em 2008 foi analista de jogo e estatístico da Seleção Brasileira de Futsal em 2007 (Jogos Pan-Americanos) e em 2008 (Mundial de Futsal). A partir de 2009 iniciou a carreira como treinador e em por dois anos (2010 e 2011) teve uma passagem marcante pelo Alto Vale. Em Ibirama, Junior alcançou com o elenco o título de campeão da Liga Sul e da Primeira Divisão dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Atualmente, é o treinador da equipe de Mafra que disputará a Primeira Divisão de 2013. Colunista do EAV desde abril/2013.

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