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O Esporte como Sistema Vivo - Reflexões sobre Edgar Morin I


por: Gestão e Profissionalismo no Esporte em 09/07/2013


Por Daniel Junior:

Parabéns e obrigado Edgar Morin.

Prezados leitores, como a boa educação nos recomenda, apresento-lhes, antes de explorar algumas de suas ideias sobre natureza e ação humana, e consequentemente esporte, Edgar Morin, um dos mais célebres pensadores contemporâneos, francês, nascido em 8 de julho de 1921, aniversariante da semana, antropólogo, sociólogo, filósofo e percursor da Teoria da Complexidade em confronto com o secular pensamento Cartesiano que ainda permeia grande parte da sociedade e, como por osmose, os paradigmas esportivos.

A Teoria do Pensamento Complexo, aplicado principalmente nas bases metodológicas da educação francesa na formulação de novas estruturas curriculares influencia fortemente a Pedagogia do Treinamento Desportivo devido a reforma do pensamento tanto de educadores quanto de treinadores e profissionais ligados ao Esporte. O complexo, para Morin, não é tido como o banal e imediato antagonismo ao simples, mas sim a compreensão e ruptura da segmentação do todo, sendo que a totalidade nuca será igual a soma das partes devido as “possíveis partes” serem abertas, portanto inconclusivas. O complexo é aquilo que é tecido  em conjunto.

No esporte, tecer o treinamento desportivo sob a luz desse novo paradigma é entender o ser humano,o homem, o atleta como ser complexo, dotado de uma intensa interatividade racional x emocional; real e objetivo  x imaginário e subjetivo; pensamento elaborado mentalmente x ação motora observável, é unir algo aparentemente separado, o técnico, o físico, o  emocional, o fisiológico, o tático. É entender o jogo como a sociedade, sistema vivo, guiado pelas relações de ordem, desordem, interação e reorganização, o tetragrama organizacional.

A ordem, no esporte exteriorizada por meio das regras formais ou de ações e comportamentos dos modelos de jogo organizado pelo treinador e comissão técnica, dos possíveis previsíveis objetivos e treináveis com guião condutor da ação esportiva indivíduo-coletiva.

A desordem, o caos. Estabelecidos pelas inter-relações de agentes inconclusos, abertos e perceptivo-motores, inseridos em um contexto instável, imprevisível e aleatório aberto, o jogo transforma-se em um ambiente possível de ser construídos resultados ,assim como a sociedade, pela relação direta destes e não pelas mãos de agentes reguladores.

A interação de atletas em busca de objetivos comuns, sabedores da resistência contrária em busca de outros anseios, será responsável pela possibilidade de alteração do ambiente desfavorável, assim como os obstáculos de uma nova ordem social, que tem como mola propulsora a reforma do pensamento educacional-treinamento.

A reorganização será o indicativo da qualidade ativa dos modelos de ação colocados em prática nas tomadas de decisão dos atletas na resolução das mais variadas situações-problema do jogo e do homem na sociedade, ou seja:

“A causa produz o efeito que produz a causa.”

Por Daniel Junior, 33 anos, formado em Educação Física e Pós Graduando em Psicologia do Esporte, Daniel atuou como atleta até 2005. Depois, como auxiliar técnico, foi campeão da Superliga e Vice-campeão da Liga Nacional por Unisul e Ulbra. Já em 2008 foi analista de jogo e estatístico da Seleção Brasileira de Futsal em 2007 (Jogos Pan-Americanos) e em 2008 (Mundial de Futsal). A partir de 2009 iniciou a carreira como treinador e em por dois anos (2010 e 2011) teve uma passagem marcante pelo Alto Vale. Em Ibirama, Junior alcançou com o elenco o título de campeão da Liga Sul e da Primeira Divisão dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Atualmente, é o treinador da equipe de Mafra que disputará a Primeira Divisão de 2013. Colunista do EAV desde abril/2013.

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